
Bem vindos a Astro City. Espero que vocês, como eu,
passem a apreciar esta revista, que é uma das melhores do gênero
super-heróis da atualidade.
Mas o que tanto difere Astro City das demais revistas
de super-heróis? Tudo e nada ao mesmo tempo. Se por um lado os heróis
que vivem em Astro City nos fazem lembrar de outros (pois o Samaritano
não nos lembra o Super-Homem? Ou ainda a Primeira Família
nos recordar imediatamente do Quarteto Fantástico, entre outros?),
Kurt Busiek consegue torna-los completamente novos com conceitos familiares.
Além disso, tudo pode acontecer em Astro
City. Diferente de outras revistas, Busiek não está preso
ao peso do marketing envolvido com cada personagem, podendo acontecer realmente
qualquer coisa com seu personagem favorito. Um exemplo disso foi a história
do Confessor, que morreu tragicamente para salvar a Terra. Ele esta
morto. REALMENTE MORTO. Nada de clones, seu espirito não foi parar
no corpo de outra pessoa, ele simplesmente está morto, como os autores
deveriam deixar cada personagem morto. Isto dá credibilidade a revista.
Quando a DC ou a Marvel poderiam matar seus personagens deste jeito? O
Super-Homem ressuscitou, Jean Grey não morreu, o Batman não
está mais aleijado, só para citar alguns exemplos.
Outro ponto interessante de Astro City é
que, diferente da maioria da revistas onde temos um personagem principal
aparecendo todos os meses, em Astro City há um rodízio de
personagens principais por edição. Enquanto na revista do
Homem-Aranha o pessoal diria, "Oh, o Venom voltou! Legal!" em Astro City
a expectativa gira em torno da volta do herói, "Finalmente uma nova
história do Jack-in-the-Box!", permitindo que os leitores não
se saturem da leitura da revista.
A arte está entregue a Brent Anderson, que
realiza um excelente trabalho na revista. Seu estilo não lembra
Jim Lee, Marc Silvestri, Todd McFarlane, as estrelas da Image, mas a histórias
clássicas de super-heróis. Ele possui grande dominio de anatomia
(coisa que um numero crescente de artistas simplesmente se esqueceu...)
e perspectiva, e combinado ao excelente texto de Busiek geram uma revista
fantástica. Se você for fã do Savage Dragon e esperar
histórias como aquela de 21 páginas de desenhos em página
inteira sem texto (até hoje penso em ir ao PROCOM para reaver meu
dinheiro, pois aquilo foi um roubo!) pode esquecer. Histórias completas,
texto envolvente, arte exuberante. E para completar, capas do melhor pintor
de histórias em quadrinhos, Alex "Marvels" Ross.
Como citou o autor na edição encadernada
("Life in the Big City", contendo as seis primeiras edições
da primeira série), na última década, desde "Watchmen"
e "O Cavaleiro da Trevas" os heróis foram se tornando cada vez mais
sérios e levados a uma nova realidade mais parecida com a nossa,
onde os super-heróis foram dissecados, analisados, suas irracionalidades
trazidas a tona, que tornava-se quase impossível achar um herói
que fazia o que fazia sem ser emocionalmente instável, incapaz de
conciliar a realidade sem demonstrar suas irracionalidades e obsessões.
Astro City trouxe os heróis a um lugar onde eles são
admirados, não cassados. Onde os cidadãos tem orgulho e veneração
pelos mesmos, não perseguindo-os como se fossem monstros ou coisa
parecida.
Outro ponto interessante da série se baseia
no narrador. Sempre em primeira pessoa, transmite a opinião do narrador
(seja ele o próprio herói, o vilão ou o cidadão
comum) frente as aventuras da revista. Isto permite sentirmos as emoções,
medos e opiniões dos narradores, criando um vínculo com o
mesmo e um compartilhamento de sua sensações. Principalmente
quando o narrador é um cidadão comum, como eu ou você.
Página em construção
Última atualização 21-03-1998
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Rinaldo Akio Uehara
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